A Geely Auto prepara uma ofensiva sem precedentes no Reino Unido. A gigante chinesa estabeleceu uma meta ousada para 2030: alcançar 100 mil vendas anuais, o equivalente a 5% do mercado britânico. Já se especula até que a marca terá produção local, aproveitando que o grupo Geely hoje controla 51% das ações da Lotus Cars e é o único acionista da London Electric Vehicle Company (LEVC), fábrica dos tradicionais táxis pretos londrinos, hoje elétricos.
Se o plano for cumprido, a companhia competirá diretamente com marcas já bem estabelecidas por lá — de Tesla e BYD até Volkswagen e Hyundai. Não se trata apenas de ambição comercial. A estratégia representa um marco decisivo no mercado europeu, cada vez mais aberto às marcas chinesas — em parte, pela grande aceitação dos veículos elétricos no Reino Unido. Para a Geely, é a chance de construir uma nova base para expandir suas marcas fora da Ásia.
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Fonte: Divulgação
EX5 lá e cá
A estreia da Geely no Reino Unido aconteceu em 23 de outubro, com o EX5 — o mesmo modelo que já é vendido aqui e vai inaugurar a linha de montagem da marca no Paraná, no segundo semestre do ano que vem.
Os britânicos estão recebendo as mesmas versões 100% elétricas Pro e Max que também são exportadas para o Brasil. Dispõem ainda da básica SE, que não é vendida aqui. Por enquanto, nada da inédita configuração híbrida que será feita na fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR).

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Com 4,61 m de comprimento e 2,75 m de entre-eixos, o EX5 tem dimensões próximas às dos concorrentes Nissan Ariya e Volkswagen ID.4. Na tentativa de conquistar o consumidor britânico, ainda reticente diante de marcas recém-chegadas e particularmente atento à segurança e ao pós-venda, o modelo da Geely já tem pelo menos um ótimo argumento: conquistou cinco estrelas nos testes do Euro NCAP, fator decisivo no mercado europeu. Traz ainda um avançado pacote de ADAS.
Com preços de tabela de £32 mil na versão SE, £34 mil na versão Pro e £37 mil na Max (de R$ 226 mil a R$ 262 mil, na conversão direta), o EX5 entra numa briga hoje dominada por modelos como o MG ZS EV e o Hyundai Kona Electric. É significativamente mais barato que equivalentes como o alemão VW ID.4 (a partir de £40 mil), o tcheco Skoda Enyaq (£39 mil) e o japonês Nissan Ariya (£39.600). Esse movimento deve pressionar para baixo os preços dos elétricos.

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A título de curiosidade, no Brasil, o EX5 custa R$ 205.800 (Pro) e R$ 225.800 (Max).
As características técnicas são as mesmas do modelo vendido aqui atualmente, com bateria de 60 kWh e autonomia de 430 km (pelo ciclo WLTP) ou 415 km (Inmetro). O motor é dianteiro e rende 216 cv e 32,6 kgfm, garantindo aceleração de 0 a 100 km/h em torno de 7 segundos, desempenho impressionante para um comportado SUV familiar.

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Lotus e LEVC, um pé no Reino Unido
A Geely planeja lançar 10 novos modelos no Reino Unido nos próximos cinco anos. A ofensiva não ficará restrita aos elétricos puros: a marca também levará uma gama completa de híbridos plug-in, de olho nos motoristas com “ansiedade de autonomia” ou que vivem em regiões com pouca infraestrutura de recarga. Muitos desses carros virão de submarcas do grupo, como a Galaxy, acelerando a expansão.
Para superar o maior obstáculo das chinesas na Europa, o pós-venda, a Geely criará 100 pontos de vendas e serviços até 2026. O foco é garantir manutenção acessível, disponibilidade de peças e forte atendimento local.

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Como o grupo Geely já é dono da Lotus e da LEVC, as estruturas técnicas e industriais dessas empresas darão apoio imediato para engenharia, design e operações. Além disso, a Geely participa da joint venture Horse Powertrain, criada com a Renault para desenvolver e produzir motores a combustão de baixa emissão e sistemas híbridos. A sede global da empresa fica no Reino Unido, consolidando a região como epicentro de investimentos que podem chegar a € 7 bilhões.
Executivos da Geely admitem que, se a meta de 100 mil unidades/ano for atingida, é provável que o grupo comece a fabricar modelos na Europa usando estruturas já existentes da LEVC ou da Lotus. A produção local ajudaria a reduzir tarifas, baixar custos logísticos e reforçar a percepção de que a Geely é uma marca “europeia” — e não apenas mais uma importadora da China.
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